Será que interessa mesmo, a diferença ou a igualdade existente entre cada um de nós?

Todos sabemos de cor, a história de que "cada um de nós é único e especial". Ouvimos a mesma frase centenas de vezes enquanto somos crianças, e aprendemos que todos somos iguais independentemente da classe social, raça, religião ou idade, mas diferentes ao mesmo tempo. Mas é engraçado se pensarmos no fundo da questão. Ora se formos todos diferentes, partimos do pressuposto que cada um, que cada grupo de indíviduos tem direito a ser tratado da forma especial e única como merece certo? Mas... se assim é:
- Estamos prontos para ser reconhecidos como pretos/brancos/morenos e não levarmos a mal?
- Estamos prontos para ser vistos como o cristão, o judeu, o hindu, e não nos ofendermos?
- Se nos fizerem distinção num emprego de por exemplo sexos, compreenderemos nós que se calhar é por sermos diferentes e não por estarmos a ser discriminados?
- Se o nosso chefe recebe três vezes o nosso ordenado, pensaremos nós que o recebe de forma justa?
- Quando somos evitados por ser diferentes, estaremos a ficar magoados ou compreendemos que nem todos nos damos com o mesmo tipo de pessoas?
Isto soa tudo um tanto racista. Mesmo quando não se está a ofender ninguém as pessoas, na sua maioria já partem do princípio que as estamos a ofender porque as estamos a tratar como se fossem diferentes dos demais. Ok, então afinal não somos tão diferentes assim quanto queríamos ser. E não não é levar a coisa à letra, pois se todos somos diferentes, então porquê reagir mal quando nos tratam pela nossa diferença e não pelo que temos em comum com os demais?
Vamos agora pensar no caso oposto. Somos todos iguais. Já soa mais civilizado não já? Direitos iguais, e deveres iguais. Ups, essa palavra... os deveres... Se somos todos iguais então:
- Somos todos vistos pela justiça de forma igual dado que sejamos igualmente inocentes/culpados?
- Recebemos todos o mesmo ordenado ao final do mês dado que trabalhemos as mesmas horas?
- Todos recebemos o respeito que merecemos?
- Há discriminação na hora de atribuir empregos, dinheiros, géneros ou qualquer outro bem pessoal ou social?
- Temos direito a reclamar tratamento especial seja onde for, se somos todos iguais?
- Devemos recusar-nos a fazer um trabalho, em prol de alguém menos graduado? Mas não somos todos iguais?
Bem pelos vistos sermos todos iguais também não é boa solução. Se por um lado a diferença nos ofende, discrimina e marginaliza, a igualdade total tira-nos a individualidade e essência única de cada um. Hum... provavelmente todos temos coisas iguais e diferentes. Todos iguais mas todos diferentes... lá está, outra frase que ouvimos desde sempre. E esta já parece ser mais ponderada, mas será realmente tudo tão bonito assim? Se dentro da igualdade temos direito a que nos respeitem a individualidade então porque é que:
- Há racismos em relação a crenças, sexos, orientações sexuais e posições sociais? (não temos todos direito a ser únicos desde que não magoemos os demais?)
- Os inocentes pobres são condenados e os ricos culpados são ilibados? (a justiça não deveria olhar para todos de forma igual e condenar de forma justa?)
- Quem se ama e não faz mal a ninguém, não pode demonstrá-lo por ter medo de represálias? (se todos amamos porque é que só alguns podem vivê-lo sem medo?)
- Se somos igualmente formados e competentes, porque é que o filho do chefe ganha mais que eu? (não devemos todos poder obter recompensa digna daquilo que porque nos esforçamos?)
Pois é. Aparentemente, mesmo sendo todos iguais na diferença multicultural, continuamos a assistir a extremismos e injustiças. "É uma selva. É matar ou morrer". Há quem descreva a vida assim. Mas será realmente justo que tenhamos que pisar os nossos iguais, para conseguir vingar por cima das nossas diferenças?
*Carlos

