domingo, 29 de março de 2009

Perfeição


É instinto natural do Homem,

Procurar a perfeição nas coisas,

Tentar alcançá-la,

Tentar conquistá-la.


Mas por vezes,

A perfeição não é o que nós pensamos,

Por vezes enganamo-nos

E vemos algo perfeito onde não existe perfeição.


É este o efeito da paixão,

Fazer-nos ver o que não é real,

Fazer-nos pintar quadros surrealistas,

Que ultrapassam o credível.


Para quem está apaixonado,

Aquela pessoa especial é muitas vezes perfeita,

Ainda que tenha mil e um defeitos,

Nada turvará a sua imagem.


E iludidos, continuamos a viver,

Na esperança de poder conquistar essa perfeição,

Na esperança de a ter só para nós,

Na esperança de a podermos imitar.


Mas não será esta ilusão, a nossa razão de viver?

Não será a esperança de atingir algo melhor que nos motiva?

Não será a esperança de encontrar a alma gémea que nos move?

Não será a esperança de ser perfeitamente feliz que nos faz viver?


É verdade, sem a ilusão de alcançar a perfeição,

Tudo perderia o interesse inicial,

Mas será bom ficarmo-nos pela primeira impressão das coisas?

Não devemos nós querer amar aquilo porque nos apaixonámos?


Pois até a melhor obra de arte é imperfeita,

Tal como tu, que para mim, aparentas ar de perfeição,

Mas que eu sei apenas ser ilusão,

E é aqui, que o meu amor conquista a minha paixão,

Pois a paixão pinta-te de perfeição,

Mas é o amor, que me permite amar até os teus defeitos…



*Carlos

O teu último dia


Será que o passavas em família,

Relembrando os bons momentos,

Vendo álbuns velhos e poeirentos,

Cheios de memórias de outrora?


Ou será que irias fazer algo radical,

Como budgee-jumping,

Ou pára-quedismo,

Algo que desafiasse a morte antes de tempo?


Não, talvez preferisses estar com os teus amigos,

Talvez preferisses jogar à apanhada,

Ou à garrafa, ou mesmo só estar na galhofa,

Todos juntos uma última vez.


Ah, ou então, poderias estar com aquela pessoa especial,

Fazer amor uma última vez,

Acariciar os seus cabelos, sentir os seus lábios,

Sentir o seu calor ardente antes de partires.


Seria de facto, uma decisão difícil,

Mas será que esta decisão seria precisa?

Não poderias tu fazer um pouco de tudo?

Será que temos que escolher apenas uma coisa?

Eu saberia o que fazer…


Passaria a madrugada, a fazer loucuras,

Que sempre quis fazer,

Passaria a manhã com os meus amigos,

Rindo e desfrutando de cada momento,

Passaria a tarde com a minha família,

Em paz de espírito e ternura.


Mas o fim do dia, o por do sol, e o cair da noite,

Passaria a teu lado, dizendo que te amo,

Sentindo uma ultima vez,

O toque da tua pele, o cheiro dos teus cabelos,

Admirando os teus olhos, ouvindo a tua voz,

Vendo aquele filme especial, a teu lado, encostado a ti…

E então, ao bater da meia-noite, fecharia os olhos,

E deixar-te-ia então, meu anjo, para me juntar a outros doutras paragens.



*Carlos

Poemas por aí... [4]


Porque tens de ser tão perfeita?

Quero amar-te mas como sempre

Meu coração não deixa…

És aquilo com que eu sempre sonhei…

A namorada perfeita!

És romântica, amorosa

Tudo o que eu sempre quis!!!

Então não percebo!?!?!?

Se és tudo com que eu sempre sonhei

Porque não te amo?

Será por seres perfeita?

Porque não me deixas ama-la?

Só me fazes sofrer…

Deslumbras-te com os sorrisos,

As suas palavras

O que ela te diz e te dedica

E no entanto não me deixas ama-la…

Porquê?

Eu odeio-te porque só me fazes sofrer.

Amar quem não quero

E quem amava amar

Não me deixas!!!

És um egoísta e maldoso

Pois parece que adoras ver-me sofrer

Em vez de me quereres ver feliz

Como devia de ser!!!

ODEIO-TE com todas as minhas forças



*Carlos

Poemas por aí... [3]


Porque me pareces tão perfeito

Enquanto eu sei que não és?

Porque me pareces lindo

Quando não és nada de especial?

Porque me pareces simpático

Quando sei que na o és,

Na maior parte das situações?

Porque me pareces humilde

Quando és extremamente convencido?

Porque pareces adulto

Quando és muito infantil’

És tu outra vez!!!

A criar ilusões para me magoar,

Me fazer chorar,

Me humilhar e enganar.

Porque não me deixas saber o que sinto?

Num mundo de tanto ódio

Tinhas de ser igual.

Só queres me magoar,

Magoar as outras pessoas,

Que elas me vejam mal!

Mas não irás conseguir

Sabes porque?

Porque, infelizmente graças a ti,

Tornei-me uma pessoa muito receosa,

Insegura

E não irei cair nas tuas ilusões.

NUNCA MAIS!!!

Graças a ti,

Dificilmente voltarei a ser feliz

E ele nunca saberá

Se alguma vez

Cheguei a gostar dele.

Tu és o culpado de tudo.



*Carlos

Poemas por aí... [2]


O amor é uma coisa muito

Poderosa e maldosa…

Olhem para os eternos amantes

Que morreram por amor

E por este

Estarão eternamente unidos.

Oh amor,

Tu que unes tanta gente

Mas também as fazes sofrer

Ajuda-me!

Esclarece meus sentimentos

Para que possa amar

E deixar de sofrer como tenho sofrido.

Castiga meu coração

Por me ter feito criar ilusões,

Ter magoado muito gente

E por me ter feito sofrer

Sem ter culpa de nada!

Faz com que ele me ouça,

De uma vez por todas,

Em vez de me fazer sofrer.

Oh amor!

Tu que és tão belo e maravilhoso

Mas também maldoso e cínico:

AJUDA-ME

Já não sei que fazer,

Estou desesperado,

Um único gesto

Cria esperanças e outros magoam-me

Como se parecesse que o mundo fosse acabar,

As vezes pareces preocupado,

Outras tanto te da como se te deu!

Tanto me falas como não me ligas,

Tanto me percebes como me chateias,

Magoas-me sem saber.

Não te quero dizer

Pois não te quero magoar

Nem me magoar.

Quero te esquecer

Mas às vezes parece impossível…

Tanto não penso em ti

Como não me sais da cabeça!!!

Ajuda-me a esquece-lo

Para que nenhuma amizade

Se estrague em vão

Nem para que ninguém se magoe

AJUDA-ME POR FAVOR!!!



*Carlos

Poemas por aí...


Porque é que o coração

É tão complicado?

Amamos quando não queremos amar,

Não amamos quando queremos amar.

Maldoso, maldoso, maldoso.

Porque me fazes sofrer?

Eu quero ser feliz!

Porque não me deixas?

Que te fiz de mal?

NADA

Sofro porque queres,

Amo porque queres,

Não amo quando não deixas,

Porque não me ouves

Só por esta vez

E me deixas amar quem quero

E ser feliz uma vez na vida?

ODEIO-TE, ODEIO-TE, ODEIO-TE

Crias ilusões,

Falsos sentimentos,

Falsas esperanças,

E que acredito que é verdade!!!

E depois o que acontece?

Sofro,

Faço sofrer quem não quero magoar.

Começo a ter medo

De acreditar no que dizes.

És um mentiroso,

Só gostava,

Que por uma vez na vida,

Não me fizesses sofrer

Como tens feito e de não chorar

Como se tivesse de alimentar

O rio do mundo sozinho!!!



*Carlos

A história do Amor


Um dia, há muito, muito tempo, os sentimentos decidiram jogar às escondidas. Para ficar a contar, lá ficou a distracção, que não se apercebeu de quando a justiça perguntou quem não queria ficar… A distracção, virou-se contra uma árvore, e lá começou a contar: 1, 2, 3, 4…


Quando se começaram a esconder, a ganância, ficou logo no primeiro sitio que encontrou, um tronco oco, com medo que lhe roubassem o lugar. A piedade, até achou um bom esconderijo por detrás de um arbusto, mas com pena da preguiça cedeu-lhe o lugar e foi esconder-se dentro de uma toca. A inteligência, esperta, escondeu-se atrás da árvore de quem estava a contar, e a mentira, escondeu-se atrás do arco-íris…mentira, foi esconder-se dentro de um lago… A inveja, com inveja do lugar da piedade, lá chorou até que o conseguiu, obrigando a piedade a mudar de sitio mais uma vez, desta vez para dentro de um vulcão…


Muito tempo de passou. A amizade escondeu-se no meio de um roseiral, e a estupidez no meio de cardos. A felicidade, contente do seu sítio por detrás de uma montanha saltava e fazia ruídos imensos dos saltos de alegria que dava…


- 99998, 99999, 100000, aqui vou eu! Disse a distracção.


A primeira a ser encontrada foi a felicidade devido aos ruídos que fazia, e depois o medo, dentro do mar, seguido da ganância, da piedade e da preguiça… A justiça,. Achou muito bem, ser das últimas a ser encontrada, pois achava o seu esconderijo muito bom. A distracção encontrou depois a preguiça e a estupidez. Ao ver a estupidez ferida dos cardos, a amizade e o carinho (que estava escondido dentro de uma nuvem) saíram dos seus esconderijos de livre vontade para a ajudar…


A distracção continuou a procurar, até que finalmente encontrou a mentira, dentro de um lago… mentira, estava atrás do arco-íris. Ao ver que estavam quase todos, perguntou quem faltava, ao que a atenção respondeu:


- Falta o amor!!!!!!!!!!!!!!


Todos procuraram pelo amor, debaixo da terra, dentro de água e até mesmo no céu, mas nem sinal do amor. Procuraram, e procuraram, e os anos foram passando sem que nada se soubesse do amor… Um dia, já cansados de procurar, sentaram-se todos e decidiram esperar… Esperaram, anos, décadas, centenários, milénios, mas nada do amor… Os outros sentimentos, pensaram então que este havia desaparecido de vez, que o amor já não estava entre eles mais…


Na verdade, o amor não desapareceu, mas encontrou um esconderijo, tão bom, que ninguém o encontrou: o coração… Á quem diga que ele de vez em quando aparece, por aí, que desperta de um grande sono… Um mito, quem sabe… Talvez seja apenas fantasia tal como a fada dos dentes e o pai natal…


Pois eu não acho… Acho que ele existe. Adormecido contudo, acordando apenas, quando algo o desperta, algo como o teu olhar, algo como o teu sorriso ou o teu carinho… Quem diria, o amor, esteve escondido tanto tempo, e todos os outros sentimentos o procuraram, em vão… Quem diria, que apenas foste preciso tu, aquela pessoa especial para o acordar…. Quem diria que apenas a tua presença, podia algo tão antigo voltar a vida, algo outrora tão magoado ou ignorado….



*Carlos

terça-feira, 17 de março de 2009

Uma raridade...


Há com cada coisa neste mundo...




Todos sabemos que o mundo em si é baseado em baixas probabilidades... Desde a probabilidade do Big Bang ter permitido a expansão da matéria pelo Universo, passando pelas chances do nosso planeta ter a massa ideal e à distância ideal do sol. E quais seriam os números daquela primeira molécula criar uma mebrana que a separasse do meio extracelular e permitisse desenvolver-se?

Sim, sem dúvida toda a nossa existência é apenas a soma de incriveis coincidências estatísticas, para além de impossíveis de imaginar. Será obra divina? Pura sorte? Bem, eu prefiro não me pôr a adivinhar, e somente dar graças a todas as coincidências que me permitiram nascer. Mas claro, não para por aqui! Só o nosso nascimento já é como jogar no euromilhões! A quantidade de combinações genéticas é assustadora, a imensidão de coisas que podem correr mal também. Mas mesmo contra todas as hipóteses, lá aparecemos nós, únicos e especiais.

Nascemos... e depois? Bem e depois a sorte continua! Doenças, cataclismos, acidentes. Tanta coisa pode pôr fim à nossa tão frágil existência. Mas não! Persistimos e sobrevivemos. Um dia após o outro. Abrimos os olhos ao mundo, começamos a explorar, uma mão à frente da outra, um pé depois do outro. Começamos a aprender, a fazer amigos e conhecidos. Vemos como no mundo existem mais milhares, mais milhões de coincidências espantosas como nós. E é com elas que vivemos, é com elas que aprendemos, é com elas que crescemos!

Isto não falando claro, das duplas coincidências de encontrar-mos alguém igual a nós. Pode ser fisicamente parecido ou simplesmente não ter nada a ver no corpo, mas ter uma mente gémea. Ou quem sabe os dois? Ou três! Sim, sim... tudo é possível neste mundo, com um pouco de sorte claro.

Agora, a real pergunta fica: será que a sorte existe? É certo que por vezes parece que tudo nos corre mal na vida. Somos infelizes academicamente, profissionalmente, familiarmente, socialmente. Até no amor parece que nada corre bem. Mas se pensarmos bem, se pusermos a nossa simples existência em perspectiva, então tudo muda de figura!

É isso mesmo. Independentemente de ser sorte, obra divina ou impossibilidade matemática, o facto é que existimos! Já pensaram a quantidade de outras coisas que nunca aconteceram para que nós pudessemos sequer nascer? É infinito o conjunto de probabilidades, de realidades alternativas, que "poderia" ter aparecido em vez da nossa.

Vamos ser um pouco mais felizes então ok? Nem que seja pelo simples facto de termos a sorte ou a benção de poder existir...


*Carlos


segunda-feira, 9 de março de 2009

The River


Uma gota, duas gotas,
Três gotas, e mais uma,
Logo muitas se juntam e formam um caudal,
Um caudal grosso e infindável que da fonte jorra sem cessar.

E ele corre por esse leito,
Cravando com suas unhas,
A dura e humedecida terra,
Deixando a sua marca intemporal.

Pois mesmo que um dia a fonte infindável finde,
E o caudal infinito acabe,
Lá estará aquele leito, aqueles arranhões,
Para contar a sua história.

Quem dera ao ser humano,
Poder ele também ser tão finitamente eterno,
Poder correr pela vida tão desenfreado,
E deixar a sua marca para sempre.

Todos queremos ser lembrados,
Quer por quem fomos, quer pelo que fizémos,
Mas a dura e nua verdade da vida,
É que as obras ruem e as memórias são esquecidas.

Sentemo-nos pois à beira do rio,
Contemplando a sua magnificiência tão eterna,
Admirando a sua finitude tão inevitável,
Invejando a sua imortalidade tão desejada.


*Carlos