Uma gota, duas gotas,
Três gotas, e mais uma,
Logo muitas se juntam e formam um caudal,
Um caudal grosso e infindável que da fonte jorra sem cessar.
E ele corre por esse leito,
Cravando com suas unhas,
A dura e humedecida terra,
Deixando a sua marca intemporal.
Pois mesmo que um dia a fonte infindável finde,
E o caudal infinito acabe,
Lá estará aquele leito, aqueles arranhões,
Para contar a sua história.
Quem dera ao ser humano,
Poder ele também ser tão finitamente eterno,
Poder correr pela vida tão desenfreado,
E deixar a sua marca para sempre.
Todos queremos ser lembrados,
Quer por quem fomos, quer pelo que fizémos,
Mas a dura e nua verdade da vida,
É que as obras ruem e as memórias são esquecidas.
Sentemo-nos pois à beira do rio,
Contemplando a sua magnificiência tão eterna,
Admirando a sua finitude tão inevitável,
Invejando a sua imortalidade tão desejada.
*Carlos
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