sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Disfarçar...


Pára! Basta! Chega!

Não mais aguento esta dor de fingir,

Esta dor de ter que me conter,

Esta angústia de não poder ser!

 

Esta raiva que quer fluir,

Este segredo que quer ser contado,

Este tédio que quero vencer,

Mas… não… preciso de me conter.

 

Eu queria… eu queria…

Poder dizer, poder fazer, poder ser,

O que quero e o que sou, mas… não posso,

Não posso contar nem ousar, somente destinado… a disfarçar.



*Carlos

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Toma-me...


Vem, abraça-me e toma-me como teu,
Não me deixes fugir nem pedir socorro,
Enrola-me numa teia que eu não consiga escapar,
Que para sempre quero ser prisioneiro.

Prisioneiro tal que morra de amor,
De paixão, carinho e fervor,
Fervor de te querer aqui junto a mim,
De te querer aqui só comigo, simples assim.

Cansado estou de nada conseguir fazer,
Contra um mundo inteiro lutar,
De constantemente ver o que tanto desejo fugir-me entre os dedos,
De constantemente fracassar.

Vem então, possui-me,
Agarra o meu coração e fecha-o a sete chaves,
Amarra o meu peito ao teu,
Enrola a minha alma na tua.

Será pedir assim tanto,
Que venhas ter comigo para ficar?
Será pedir assim tanto,
Que finalmente consiga ter o que quero?

O amor, a atracção, o sentimento é aleatório,
Não escolhe idade, local ou momento,
Simplesmente flui vindo da profundeza do nosso coração,
Pegando-nos de surpresa, deixando-nos sem reacção.

Quero ver-te, quero sentir-te,
Desejo poder desejar-te sem precisar adormecer,
Quero ir ao infinito contigo sem ter medo de acordar,
Quero para sempre ao teu lado estar sem ter medo de raciocinar.

Perder-me nesta ilusão é o que quero,
Ficar contigo junto embora longe,
Ser consolado ainda que sem presença,
Ser acarinhado ainda que sem carinho.

Quero sonhar acordado,
Mas quero que o sonho seja a realidade,
Ou quem sabe a realidade o sonho,
Somente quero... ser feliz.

Toma-me então que sou teu,
Vem reclamar o que desde sempre te pertenceu,
O que para sempre te pertencerá,
Ó amor eterno desconhecido, cuja face não se quer revelar.

Vem...
Toma-me...
Aprisiona-me...


*Carlos

domingo, 19 de outubro de 2008

Amor Eterno / Angústia Eterna

Todos conhecemos a história de Romeu e Julieta... certo?





Sem dúvida uma das histórias mais intemporais, mais eternas, mais apaixonantes de toda a literatura. Para sempre imortalizada nas palavras da primeira tragédia de William Shakespeare, a história de como o ódio entre duas famílias pode levar a medidas tão extremas como a morte, até os amores mais puros.

Primeiro que tudo, temos o ódio primordial. Em Verona, cidade italiana, é incrível como duas famílias tão grandes e poderosas (Montecchio e Capuleto) se conseguiam odiar tanto! Geração após geração, o ódio em lugar se se esvair e desvanecer no tempo, intensifica-se e torna-se cada vez mais perigoso. Cada movimento brusco dá origem a briga. E não uma briga qualquer! Entre estas duas famílias, cada briga é uma briga de se lembrar quase que em epopeias! Mas enfim... o que uns fazem, outros seguem fielmente como se de uma religião retorcida e doentia se tratasse, sem nem pensarem em perdão.

O destino, infelizmente, dá voltas estranhas. E no seio de tamanho ódio nasceria pois um amor ainda maior. A pobre Julieta, tão nova e bela, recém pedida em casamento pelo formoso Páris, totalmente apoiado pelos Capuletos para tal acto, depara-se entre o dever e o coração, entre a família e a paixão. Romeu, um rapaz da família dos Montecchio, conhece por um fado tão negro e sádico, o anjo chamado Julieta. Olhares trocados, lábios tocados, almas unidas, formam pois um laço de amor tão grande, tão imenso que nem a morte viria a separar um dia. Louco, ardente e apaixonado é o segredo destes dois, que em encontros secretos e tão apaixonados, professam o seu amor um pelo outro de forma pura e arrebatadora.

Quer seja ao ler o livro, quer seja ao ver o filme original, quer seja ao ver o filme adaptado aos tempos modernos ou até mesmo os desenhos animados, ninguém foge a tamanha emoção que é o momento de cada encontro entre estes dois. Mas mesmo o mais belo amor, pode ser empatado por ódio e vingança. Quando um dos amigos de Romeu é morto por um dos Capuletos, o exílio é ordenado ao jovem Romeu, que para sobreviver e poder um dia ficar junto de sua amada foge de Verona, refugiando-se em Mântua.

Contudo, afectada quer pela morte do seu primo Tebaldo, quer pela fuga de Romeu, Julieta chora dia e noite e acaba por ver o seu casamento com Páris apressado. Desesperada, acaba por pedir auxilio a Frei Lourenço que com um elixir especial prepara a morte de Julieta. Assim, não querendo ser deserdada e abandonada por seus pais, mas recusando-se a casar com outro além de Romeu, na vespera do seu casamento Julieta deita-se e toma o elixir que no dia seguinte a faz parecer morta. Lágrimas choradas e corpo colocado em exposição no mausoléu, tudo parecia pronto. Tudo? Nem tudo!

Como sempre, a sociedade atrapalha e a teoria do caos é realmente caótica. Devido a vários pequenos incidentes de terceiras pessoas, aparentemente sem problema para elas, Romeu não chega a saber do planeado, e somente ouve falar da morte de sua amada. Ele regressa então e acaba por matar Páris, visitando depois Julieta ao mausoléu. É aqui então, que tudo por momentos parece ganhar futuro. Romeu sozinho com julieta, chorando agarrado a ela planeando matar-se, Julieta a acordar aos poucos. Perfeito não? O amor finalmente triunfa e todos vivem felizes e exilados de Verona para sempre. Ah que bom que seria... que bom, que feliz, que alegre... Pois é então que o ódio, que a revolta toma conta de todos.

Romeu não ter tido conhecimento do plano de Lourenço e Julieta devido a incidentes supérfluos já é enraivecedor, mas o que em seguida decorre, realmente corta e dilacera até as almas mais frias. Na maioria dos filmes e séries, e no livro enquanto nos perdemos em suas linhas, em todos os casos, sempre vemos um Romeu desfeito, que chora sobre o leito da suposta morte de sua amada. Vemos um Romeu pronto a morrer para se juntar a ela. Mas... um dedo começa a mover-se. As palpebras dão sinal de vida. Os olhos começam a abrir-se lentamente e a mão de Julieta, feliz por ver ali perto dela o seu amado estica a mão para tocar a doce face do seu amado. Mas... infelizmente, já é tarde. Por questão de segundos ou minutos (dependendo da edição/filme), os dois vêem o seu destino perder-se, escapar perante seus dedos. Romeu toma o veneno e coloca um fim à sua vida, no momento em que Julieta volta a viver da falsa morte, esperançosa de uma vida longa com o seu adorado amante.

Romeu morre. No leito de morte falso de Julieta, é o seu eterno amor quem falece primeiro. Quão irónico! Tudo porque duas famílias se odiavam e porque uma simples mensagem acerca do plano de falsificar a morte não foi entregue. Que revoltante. E como se já não bastasse, Julieta, ardendo de dor, pega o revolver/adaga de Romeu e tira a sua vida, morrendo ao lado dele. Claro que este evento leva ambas as familias a entrarem em paz e consenso... mas a que preço! Duas vidas tão preciosas e apaixonadas precisaram sofrer tanto, tudo para que um grupo de teimosos resolvesse esquecer e perdoar!

É de facto revoltante para quem vê/lê esta história. Ok, é sem dúvida linda, uma obra literária inesquecível e bela até dizer chega... mas... revolta naquilo de mais intimo que temos no nosso coração, ver como um amor tão puro foi levado a viver somente após a morte em paz! E pior ainda! Ver que ainda hoje em dia, coisas não iguais, mas semelhantes ocorrem todos os dias! Brigas, zangas, ódios, regras sem noção entre famílias, raças, religiões todos os dias impedem que pessoas que gostam de estar juntas possam desfrutar desse prazer. Será que nem com uma história fictícia como a de Romeu e Julieta conseguimos perceber quanta dor todos os dias é causada por não esquecermos ou perdoarmos? Será que nunca vamos aprender?


*Carlos

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Os Primeiros Dias


Quem não se lembra da emoção, dos nervos, da espectativa dos primeiros dias de aulas numa escola nova...



É tão estranho. Sentir-me novamente assim. Lembro-me dos primeiros dias de primária, 12 anos atrás. Dos primeiros dias do ciclo básico, 8 anos atrás. Dos primeiros dias de secundário, 3 anos atrás. E agora, os primeiros dias de faculdade, são sem dúvida os mais estranhos de todos! Sei que sou maior de idade já. Sei que não mais sou um garotinho pequeno e de baixa estatura. Ok, continuo exageradamente magro e falador, mas nem tudo muda não é mesmo? 

Mas o que interessa, é que mesmo tendo crescido em tantos sentidos diferentes, sinto como me sentia à 12 anos atrás. Um aluno novo, jovem, quase um bebé que entra num mundo tão diferente do que estava acostumado. Não conheço ninguém, não conheço nada. Os arrepios no estômago multiplicam-se e os tremores proliferam tal qual um cancro maligno. E então, dia após dia, lá nos levantamos da cama em cada manhã, rumo à faculdade. Primeiro um passo, depois outro. Meia hora de autocarro, vinte minutos de metro, dez minutos a pé. E o edifício, aparentemente enorme mas que na realidade nem é das maiores faculdades do país, nem de perto nem de longe, começa a aparecer ao virar a esquina. Lá se entra... Sempre um pouco nervoso, pois os veteranos e doutores adoram praxar os caloiros, especialmente nesta primeira semana. 

Com algum receio, muito riso e boa disposição, lá se passam os dias. Segunda, Terça... Antes de darmos conta já é sábado. Respiramos então de alivio e aproveitamos para dormir um pouco. Ok, minto, dormimos quase o fim de semana todo, mas ninguém atenta aos detalhes não é mesmo :P? E então começa a segunda semana. As praxes diminuem, começam a comprar-se alguns livros e sebentas, que só com o preço quase nos fazem precisar de um desfibrilhador logo ali ao lado. As aulas teóricas começam a ter muita matéria. BioCel faz-se bem, Bioquímica presta-se atenção e Anatomia apavoram-se os sentidos. Tudo segue o seu ritmo natural. 

Com a aproximação do início das práticas, o medo instala-se de novo. A matéria que ainda nem começamos a dominar nem um centésimo, vai ser necessária, à grande! Cada aula conta. Cada minuto é avaliado... Oh Deus... mas, se todos já passaram por lá e sobreviveram, nós também iremos sobreviver não? Se todos os que cursam medicina, ou quase todos, conseguem, porque nós não conseguiríamos? Respiremos fundo então, vá... um, dois, três... Mais calmo? Não! Mas enfim... Agora, será esperar para ver...


*Carlos

domingo, 12 de outubro de 2008

O Impossível tornado Realidade



Quando aquilo que pensamos ser somente coisa de sonho, de facto acontece...




Por vezes, em sonhos, pensamos ser donos da fantasia. Imaginamos coisas, enebriamos os sentidos com elas. e ficamos felizes, pensando que embora a realidade seja cruel, pelo menos naquele mundo de sonhos seremos felizes. Desejamos ardente e secretamente libertar aquele sonho, e concretizá-lo no real do dia-a-dia. Mas lá no fundo, sabemos e acreditamos, que os sonhos são impossíveis de se realizar, que as fantasias só ocorrem nos filmes, livros e mente humana.

Mas e quando nós chegamos à dura conclusão que aquilo que sonhávamos, se tornou realidade? Como devemos reagir, quando aquilo que mais queríamos, quando o que mais sonhávamos em ver, tocar, sentir, possuir, se encontra fisicamente e mentalmente real à nossa frente, quase todos os dias? Realmente é complicado...

É de facto complicado, quando o que queremos é o proíbido. Quando o que queremos está fora do nosso alcance. Ainda que sonhemos, ainda que nos percamos em ilusões...

"Pode ser que mude"

"Quem sabe aquela pessoa também não pensa da mesma forma"

"Talvez a minha perspectiva de vida esteja em sintonia com a dela"

"Se já correu tudo até aqui, se o sonho já se começou a realizar, quem sabe ele não se complete em lugar de ficar pelo doloroso meio"

E então continuamos a sonhar, querendo que o sonho já semi-realizado, continue a aparecer. Interpretando cada gesto, cada olhar, cada palavra como um sinal, como algo que nos leve a ter esperança. Mas... se é tão difícil! As possibilidades, de algo tão perfeito para nós aparecer, fisicamente materializado em forma de pessoa, à nossa frente já é tão rara, quanto mais, quando a isto ainda temos que somar as probabilidades, de tantas outras coisas, umas mais raras, outras menos, umas mais tabu, outras menos, mas ainda assim, é quase como jogar no euromilhões.

Mas enfim. Continuamos a sonhar... quem sabe não ganhemos o euromilhões desta vez! Quem sabe não nos reserve o destino a combinação vencedora desta tentativa. E se não ganharmos, somente resta esconder o bilhete da lotaria, ocultar o sentimento, disfarçar a dor e a angústia. Dói? Claro que vai doer... mas... a vida é assim mesmo: umas vezes perde-se, outras ganha-se. E mesmo quando se perde de quase todas as vezes, ei, pelo menos tentou-se! Podemos ser os únicos a saber que jogámos, que tentámos. Pode ser uma tentativa silenciosa e escondida. Mas o que interessa é ficar em paz connosco mesmos. Saber que tentámos, saber que demos uma chance à felicidade. E se ela não sorrio novamente, então... um dia há-de sorrir espero ^^


*Carlos

sábado, 11 de outubro de 2008

Uma Nova Era


Realmente, as coisas mudam...


       


Realmente as coisas mudam. E muito! Chega pois uma altura, em que vou deixando de usar a conta do Charlie, e começo a usar a minha mesmo. Talvez preguiça de logar a outra, talvez vontade de logar esta novamente.

E pronto. Cá estou eu. Consegui de facto entrar na faculdade de Medicina. O objectivo que parecia impossível concretizou-se finalmente. Aqui que pareceu outrora tão distante, agora está aqui ao lado. E neste momento, após uma semana de praxe, de divertimento e socialização, começo a ver a dimensão de tudo. Tantas pessoas novas, tanto a conhecer, tanto para estudar. E não mais se trata de coisa de secundário, mas sim de ensino universitário. Tudo se intensifica. Amizades que forjamos numa semana ficam tão fortes quanto algumas que demoraram anos a formar em tempos passados, e coisas que antes estudaríamos superficialmente e na véspera, agora ocupam-nos horas, dias se for preciso. Mas aguentarei, tanto eu como os que me rodeiam.

Certo é que o futuro é incerto. Verdade que tudo pode e provavelmente vai acontecer, mas... não é essa parte desta nova página da minha vida? A surpresa, a dúvida, o desconhecido. Vou então, lutar pelo meu futuro, pela minha vida e acima de tudo, pela minha felicidade. 


*Carlos