sábado, 26 de julho de 2008

A Ajuda


Posso Ajudar? Como?





Existem tantas formas de ajudar neste mundo. Desde o serviço comunitário ao simples abraço. Todos podemos sim desempenhar um papel fundamental neste mundo. O que importa não é como se faz, mas sim o fazer! Dar a mão a quem precisa, quando mais precisa. Afinal de contas, somos todos da mesma espécie, todos irmãos de carne, ainda que a cor ou nacionalidade seja diferente, mas todos somos iguais, bem no fundo. E enquanto espécie, devemos apoiar-mo-nos, ajudar a que a sobrevivência e conforto seja sempre existente em todos os cantos e recantos deste grande planeta. Se os animais vivem em grupos, se defendem em grupos, se alimentam em grupos, e se apoiam em grupos, porque é que nós, Homo Sapiens, temos que ser diferentes? O dom da racionalidade não devia ajudar-nos a ser ainda mais felizes do que os simples e irracionais animais que caminham pelo mundo?

É pena que nem todos saibam que podem ajudar. Uma doação para uma instituição de caridade ou petição. Dispensar do seu tempo numa acção de voluntariado. Apoiar um familiar, vizinho ou amigo num momento de necessidade. Ajudar quem amamos quando mais precisa. Existe tanto que cada um de nós pode fazer, existe tanto que cada um de nós tem para dar e poder ser feliz e fazer os outros mais felizes. ONU, AMI, Abraço, Casa do Gaiato, Casa do Gil, e a lista continua, aparentemente interminável. É só escolher! Ou se não nos sentirmos confortáveis a ajudar através de uma instituição, porque não voluntariar-se para tomar conta de crianças, de doentes, de idosos, em hospitais, lares, até na nossa própria casa! Tanto que pode e precisa de ser feito, mas nunca ninguém sabe. Ou se calhar prefere fingir que não sabe, prefere ignorar a fatalidade deste mundo, afundando-se na sua vida, nos seus amigos, esquecendo que a vida tem mais do que aquilo que está ao nosso lado. A vida tem tanto mais.

Mas acaba por aqui? Claro que não. Talvez o mundo estivesse melhor, talvez cada pessoa fosse mais feliz se começasse por se ajudar a si mesma e a quem ama primeiro que tudo. Sim, falo de auto-estima em primeiro lugar. Antes de poder prestar auxílio a quem quer que seja, cada um precisa de estar em equilíbrio e paz consigo mesmo. Como posso apoiar alguém se eu próprio preciso de apoio? Refugiar-mo-nos em voluntariado, em desculpas, no trabalho, nada disso resulta. Temos que ser capazes de olhar para o espelho e dizer que estamos confortáveis com quem somos. Reconhecer que temos defeitos e problemas, mas que também temos qualidades, pois é esse equilíbrio que nos torna humanos. Só então, quando nos encontrar-mos a nós mesmos, só aí é que poderemos partir para uma vida feliz, em sociedade, em casal, em família, entre amigos.

E claro, além de ajudar os outros e a nós mesmos, também temos que apoiar, especialmente quem amamos. Um pai, um irmão, um companheiro, um melhor amigo. Por vezes eles passam por tanto, e nós nem nos apercebemos, achamos que não podemos ajudar, ou que não devemos. Devemos sim! Quem realmente amamos, e nos ama, por muito que negue, quando está mal, sempre precisa de um amigo. Se precisa de um tempo sozinho, acabará por precisar de alguém com quem falar mais tarde. É humano, é natural, é necessário. O desabafo, o riso, o choro, o aconselhamento. Tanta coisa que podemos, devemos e precisamos de fazer e ajudar a que seja feito. E claro, por vezes, para ajudar os outros, temos que ser capaz de reconhecer os nossos próprios erros, ver que também temos culpa, que também podemos ajudar se mudarmos a maneira como agimos. É díficil, certamente tão ou mais difícil do que nos aceitarmos a nós mesmos como somos, mas, não valerá a pena o esforço, se é para o bem de quem amamos? Não valerá a pena dar tudo para ajudar quem é mais próximo do nosso coração, quem nós sabemos que se um dia precisarmos também lá vai estar? Na minha opinião, acho sinceramente que sim. Devemos sempre cuidar de nós mesmos, e ajudar quem precisa, porque se não o fizermos, ninguém mais fará. Só depende de nós Homem, cuidar de nós mesmos.


*Carlos

quinta-feira, 24 de julho de 2008

A Simplicidade


Até onde a Ganância Vencerá a Humildade?




Nos dias que correm, é cada vez mais difícil conseguir saciar o desejo por poder e dinheiro. É algo que se torna tão apreciado que muitos de nós ficamos sem saber onde acaba a necessidade e onde começa a ganância e luxúria. Quem tem muito, quer sempre mais. Quem tem pouco, quer sempre mais. É um ciclo vicioso! Quanto mais temos, mais queremos, mais achamos que precisamos. Seja dinheiro, estatuto, poder, influência, amigos, entre muitas outras coisas.

Gostamos tanto do estatuto social, de ter este ou aquele sobrenome, de ser filho desta ou daquela pessoa. Até mesmo de poder ajudar aqui ou ali! Sim, mesmo o voluntariado costuma ser motivo para se mostrar e enriquecer na posição e poder na sociedade. Todos os dias vemos pessoas que têm demais e abusam do que têm. Ou simplesmente, que não se apercebem do quanto têm. E todos os dias, vemos como os que nada possuem gostavam de ter mais, de poder viver melhor. Mas, até que ponto é isso bom? Quem muito tem, não se apercebe do quão sortudo é. Quem nada tem sabe que não tem nada, mas quando começa a enriquecer, esquece-se que já teve dificuldades, afasta-se de suas raízes e deixa para trás todos os que quiseram ajudar. Valerá a pena enriquecer se isso significa perder quem amamos e esquecer-mo-nos de quem somos?

Onde está a felicidade do simples? A beleza do singelo? A maravilha da calma? O sorriso de uma criança, o olhar agradecido de alguém, uma refeição simples em família, um passeio sem nada de especial com os amigos, um momento, uma palavra trocada a sós com quem amamos. Pode ser sempre tudo simples, sem riqueza nem luxo. Mas é puro e verdadeiro. Por norma quanto mais se tem, mais se esconde, mais se mente, mais se é falso. Já quem nada tem, nada precisa esconder! A vida é mais dura, mais complicada, mas certamente mais honesta e formará melhores cidadãos.

Seria óptimo que todos os altos e poderosos, perdessem parte de seu império, para que se lembrassem de como é ser alguém simples mas feliz com o pouco que tem! Ou se calhar, quem nasceu em berço de ouro, passar algum tempo sem nada, para poder sentir como também é bom uma simples brisa do campo, um simples raio de sol na praia. Não é necessário ter acesso ao mais fino "resort turístico" nem ao mais caro restaurante francês. Uma boa praia, um bom piquenique, desde que estejamos confortáveis connosco mesmo e que gostemos da companhia, sempre é bom!

Lutemos pois para terminar com as brigas, com os stresses, com os momentos de egoísmo e desentendimentos. Não vale a pena. É tão mais agradável desfrutar do que é simples, do que tentar tirar prazer do que é complexo. Não que seja mau, mas quando toda a vida assenta sob esses conceitos e acções, então entramos sim em desiquilíbrio. Todos nós precisamos de viver em sociedade, mas também de conviver com a natureza. O ar puro, a comida caseira, as obras artesanais, são parte do nosso ser, da nossa cultura. Não nos esqueçamos disso! Deixemos de parte o luxo e o mundano para apreciarmos um pouco a vida. Exultemos o simples, o puro, o que é prazeirento por si.

Sejamos equilibrados! Vivamos a vida com TUDO o que ela nos pode oferecer e não somente com o que nós queremos por ganância ou interesse.


*Carlos

quarta-feira, 23 de julho de 2008

A Liberdade


Seremos nós livre ou simples escravos?




«A liberdade é a possibilidade do isolamento. És livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procurá-los a necessidade do dinheiro, ou a necessidade gregária, ou o amor, ou a glória, ou a curiosidade, que no silêncio e na solidão não podem ter alimento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo. Podes ter todas as grandezas do espírito, todas da alma: és um escravo nobre, ou um servo inteligente: não és livre. E não está contigo a tragédia, porque a tragédia de nasceres assim não é contigo, mas do Destino para si somente. Ai de ti, porém, se a opressão da vida, ela própria, te força a seres escravo. Ai de ti, se, tendo nascido liberto, capaz de te bastares e de te separares, a penúria te força a conviveres. Essa sim, é a tua tragédia, e a que trazes contigo. Nascer liberto é a maior grandeza do homem, o que faz o ermitão humilde superior aos reis, e aos deuses mesmo, que se bastam pela força, mas não pelo desprezo dela.»

Fernando Pessoa, in «Livro do Desassossego»


Bem... Mais um texto desde grande senhor que, mesmo que tenha sido um esquizofrénico múltiplo, foi um dos maiores génios da poesia... Como ele próprio diz, não interessa a sua vida, ela nada significa, ele é o que escreve e por isso passemos logo para o assunto de que pretendo falar:

Liberdade...

Um conceito muito vago, um conceito muito falado. Pode ser apenas uma palavra sem sentido que escrevemos ou dizemos, no meio de uma conversa, ou pode ser uma fonte de discussão, de debate intenso... Mas, realmente, é algo de que devemos falar: a solidão traz-nos liberdade, mas está-nos na natureza, como animais, o instinto para viver em grupos, em sociedades...

Mas conseguiremos nós esta separação, conseguiremos nós afastar-nos da sociedade desprendendo-nos de tudo e de todos? Ou teremos sempre a necessidade, como diz Pessoa, do dinheiro, gregária, de amor... Pois... valerá a pena uma vida de solidão, mesmo sendo uma vida realmente livre? À semelhança de um cavalo alado, que é livre de conquistar tanto os céus como a Terra, também ele possui essa liberdade, mas se for separado dos seus semelhantes, se ficar sozinho no mundo, sem ninguém, ele acaba por morrer...

O mesmo não acontecerá connosco? Se nos separarmos de todos, vivemos uma liberdade verdadeira, mas a que preço? Trocaremos uma vida de escravidão amada e sentida, por uma vida de liberdade em que a alma definha, e morre?

Cabe a cada um de nós decidir, se queremos lutar por uma vida livre, ou desistir e resignar-mo-nos a tudo o que o destino nos imponha.


*Carlos

A Oração


A Oração
(Um post para quem é religioso e para quem não é)



Olhar o céu,
Admirar as estrelas,
Suspirar de desejo,
Venerar a beleza.


É pois, para este céu, que muitos de nós se viram, quando se sentem mal, quando precisam de ajuda, quando se sentem a desabar... E muito rezam, pedem, através da mais simples das orações, ajuda, força, protecção para continuar a viver, para os seus problemas conseguir resolver...


Mas fará esta oração diferença?
Será este momento de prece preciso?
Teremos nós ajuda se a pedirmos?
Ou estaremos apenas a iludir-nos?


Pois, para quem tem fé, esta oração é pois necessária... ela é o conforto dos tristes, a mão que ampara os necessitados, a companhia que aquece os espírito dos mais solitários... Esta oração é pois vital, é pois algo que nos inspira e dá esperança para o dia seguinte... É ela que nos momentos dificeis nos consola... Ainda que a nossa vida, continue a mesma, é pois na fé que muitos encontramos conforto para a alma... Pois ainda que a carne apodreça, a carne continua jovem, bebendo da água da fonte da juventude eterna que é a crença, a fé...

No entanto, para quem não tem fé, tudo isto parecem ser meras palavras, mero texto escrito com intenção de enganar os outros... Mas será? Serão os que acreditam tolos por acreditar, ou os que não acreditam ignorantes por não acreditarem? É pois difícil de saber... E não podemos forçar nada, nem impingir nada em ninguém... Mas não devemos também criticar os demais:


Pois sofrerão os crentes de alucinações?
Ou serão os que não acreditam os cegos?


Ficam agora, duas coisas para ler e ouvir... em primeiro lugar uma oração a Maria (Nossa Senhora de Fátima), criada por mim que penso ser um bom exemplo de uma oração em que pedimos auxilio, e em segundo lugar, uma música interpretada por Andrea Bocelli e Celine Dion: "The Prayer"....



Oração a Maria

Ó Maria, Mãe de Cristo,
Senhora da Luz das orações,
Senhora da Esperança dos doentes,
Senhora da Paz dos corações.

És refúgio dos que pecamos,
És Mãe quando sofremos,
És consolo quando choramos,
És presença quanto te queremos.

Ouve-nos,
A nós jovens,
Teus filhos e filhos de Deus,
E ajuda-nos neste momento de oração.

Por isso pedimos:

- Para pôr em prática os dons recebidos,
O Teu Auxílio, Virgem Imaculada

- Para o próximo conseguir amar,
A Tua Força, Senhora

- Para os tempos que vivemos,
A Tua Luz, Maria

- Para o futuro que nos espera,
A Tua Bênção, Ó Mãe



"The Prayer" por Andrea Bocelli e Celine Dion





*Carlos

Saudade


Quando o coração torna a memória dolorosa




Todos nós já tivemos saudades de alguém ou de alguma coisa. As boas memórias marcam-nos e essa marca vai causar dor quando começar a ficar distante no tempo. Um tempo perdido, umas férias passadas, um amigo esquecido, um amor afastado. Um ano, um mês, um dia, um segundo. Não importa o quê ou por quanto tempo, mas sim o facto de que todos sofremos à nossa maneira. Mas porque temos que sofrer? Porque não podemos simplesmente viver a vida, indiferentes ao passado e futuro, somente concentrados no presente? Pois pensamos. Ó como pensar é difícil. Como pensar nos faz sofrer. É certo que podemos desfrutar de cada momento da nossa vida mais intensamente, por termos o dom da razão. Mas… também é por vivermos cada momento tão intensamente, que mais tarde entramos num estado de melancolia, de saudade de tais momentos. Contudo, esta dor, este sofrimento, nós decidimos tê-lo. Não o queremos, mas não nos importamos de o ter. Talvez por fé, talvez por princípio. Ou não? Será a saudade tão importante assim? Será esta dor nostálgica uma pedra angular da nossa existência? Pensemos então.


O que nos faz viver? A maioria, senão todos nós, temos uma vida difícil, e com dores e pesadelos diários. Problemas pessoais, familiares, económicos, de saúde, de relacionamentos, isto claro, excluindo o mundo hostil em que vivemos, as notícias de guerras, chacinas, assaltos, catástrofes que a toda a hora nos chegam por vários meios. Temos que ser realistas, a vida é um dom maravilhoso, mas não é bela de se viver! Na verdade, é bastante deprimente! O que a faz parecer bela, são os momentos de felicidade, em que esquecemos todos os nossos problemas, em que nos abstraímos de todas as desgraças e somos realmente felizes. E é por esses momentos que vale a pena viver. Um sorriso, um abraço, um toque, um agradecimento, até mesmo um olhar. São estas breves coisas que nos fazem felizes, e infelizmente, são elas que nos marcam tão fundo na alma, que mais tarde esta arde em saudade. Valerá então a pena? Por momentos de prazer, uma eternidade de nostalgia? Lógico que sim! O que seria de nós, ser humano, sem a saudade? Sem a esperança? Se não tivermos algo que lembrar, nem algo que desejar, de que serve a vida? Como podemos desfrutar ao máximo de cada momento da nossa vida, se não conseguirmos relembrá-lo mais tarde?


Para toda a luz, a escuridão, para cada sorriso, um choro, por cada momento de alegria, um momento de dor. Tudo na vida tem coisas boas e más, e se temos esperanças, sonhos, desejos, também teremos lembranças, memórias, saudade. É isto que nos faz sofrer, mas também que nos faz sorrir. É tão bom relembrar aquele momento especial, aquela cena de felicidade, aquela pessoa maravilhosa. É dolorosa tal lembrança? Sim pois não passa de uma memória. Mas vale a pena? Com certeza! Ainda que doa, ainda que arda, sempre saberemos que alguém nos ama, que em algum momento nos divertimos. E isso traz-nos esperança de que possamos voltar a ser felizes. Talvez não daquela forma, pois cada momento é único. Talvez não com aquela pessoa, pois ela pode nunca mais voltar. Mas aquele tipo de sentimento, é essa esperança que nos alimenta e nos dá forças para continuar.


Não interessa se é muito ou pouco. Não interessa porque ou por quem sofremos com a saudade. Interessa somente que nos agarremos à saudade, não para nos perdermos e sufocarmos nela, mas para a transformar em esperança de desejo. Voltaremos a sorrir, voltaremos a estar juntos, voltaremos a ser felizes. Voltaremos…






"I Miss You" - Blink 182






"When Your're Gone" - Avril Lavigne



*Carlos

terça-feira, 22 de julho de 2008

O Sacrifício e a Falsidade


Dar-mo-nos, entregar-mo-nos por outrém... mas será este acto honesto?






Desde os primórdios da Humanidade que o ser humano conhece o termo sacrificio. Os homens das cavernas, executavam rituais para conseguirem ter sorte nas caçadas. Mais tarde, as civilizações voltaram a adoptar tais ritos, embora com motivos diferentes. Astecas, egípcios, maias, incas, entre muitos outros, todos sacrificavam animais e até mesmo humanos para que os deuses lhes fossem favoráveis. Rituais barbaros, que incluiam desde imolações até a estripamentos, todos eles com funções supostamente divinas e sagradas. Como se a morte fosse algo sagrado! Seria de pensar que o Homem evoluísse e percebe-se o quanto errava. Mas não. A idade Média só tornou tudo isto pior. Desde os sacrifícios pagão, aos autos-de-fé, tudo parecia estar sempre ligado à morte e ao fogo enquanto purificação da alma.

Finalmente, a civilização continuo a avançar, pelo menos dos países evoluídos do Ocidente, e os sacrifícios corporais começaram a diminuir de intensidade. Em lugar de matar alguém, começou a jejuar-se, em lugar de queimar alguém, surgiram os trabalhos comunitários. E se formos ver, no século XXI quase não existem mais os antigos sacrifícios. Pelo menos na sua forma original. Mas... com o desaparecimento dos rituais cruéis, a mente civilizada e a reflexão entraram em acção. O ser humano começou a ver, finalmente, algo que muito poucos viram durante séculos, e até mesmo milénios: o sacrificio pessoal.




Em paralelo aos sacríficios brutais e exuberantes, durante toda a história do Homem sempre foi menosprezado e ignorado por muitos, o sacríficio pessoal e discreto. Um amigo, um familiar, um pai, um irmão, um filho, um marido, ou, até mesmo um desconhecido. Qualquer um por quem achamos que nos devemos sacrificar. E este tipo de sacrifício não é exuberante nem divertido. Na maioria das vezes, é de facto penoso e muito cansativo, mas, continuamos a fazê-los. Porquê? Porque continuamos nós a sofrer propositadamente se conseguimos deixar de fazer os demais sofrer nos antigos rituais bárbaros?

Ora a resposta, parece complexa, mas é simples: pois somos humanos!
Todo o ser humano pensa. Todo o ser humano tem sentimentos. E a maioria dos seres humanos, ao conjugarem o seu pensamento com os seus sentimentos, apercebem-se de que podem ajudar quem amam, quem precisa, quem pede ajuda. Apercebem-se que a vida tem mais para além de si mesmos, e por isso, fazem sacrifícios. Fazer companhia a alguém, ajudar na execução de uma tarefa... tudo coisas que podemos fazer, prescindindo do nosso tempo, da nossa vida, para poder prestar auxílio. Contudo, nem sempre a perfeição existe. Se antigamente nos deparávamos com os fracos motivos para a execução de sacrifícios, hoje em dia deparamo-nos com os falsos motivos e falsas honestidades de quem se sacrifica por outrém.

- Actores e cantores que se fazem passar por caridosos, quando na verdade só querem atenção dos meios de comunicação

- Falsos amigos que só nos ajudam quando sabem que vão poder pedir algo em troca

- Membros de família que nos apoiam, para na hora certa nos trairem e deixarem sem nada

- Namorados(as), maridos/esposas que professam o seu amor tão infinito, aparentam dar tudo por nós, tudo para conseguirem no fundo abusar de quem dizem proteger

- Pessoas que fingir dar com uma mão, quando na verdade estão a tirar muito mais com a outra

Infelizmente, o mundo está cheio de fingidores e mentirosos. Até quando conseguiremos nós suportar isto? Será que não acabaremos por nos fartar de viver num mundo em que quem mente e rouba é quem vence? Não seria tão bom vivermos num conto de fadas em que o mal é derrotado e todos acabamos a viver felizes para sempre? Oh quem sabe! A verdade é que os sacrificios só mudaram de forma e motivos, mas a falsidade e interesse continuam lá. Se antigamente o poder, a luxúria e as falsas crenças eram os motivos, pois hoje em dia, podemos constatar que afinal, não mudou muito. Dinheiro, ganância, maldade, ânsia de poder.

A verdadeira questão que devemos colocar a nós mesmos é: sacrifico-me por motivos puros ou por motivos sujos? Será que finjo entregar-me aos outros, só para no final ser dono deles? Hoje em dia, poucos são aqueles, que trabalham, que se sacrificam de forma honesta e verdadeira. A maioria tem interesses por trás de todas as suas acções. Podem nem ser interesses malvados ou prejudiciais, mas... são interesses! Não percamos mais tempo com falsas caridades, com ilusões. Temos que despertar, abraçar o sacrifício e expulsar dele a falsidade. Ninguém pede que todos sejamos as novas "Madres Teresas de Calcutá". Mas... se todos dessemos um pouco, somente um pouco de nós para ajudar o próximo, então os "poucos" de todo o mundo, fariam sem duvida deste planeta, um local ideal para se habitar.



*Carlos

Addiction


Vício... onde está realmente o seu limite?








Nos dias que correm, a dependência de tudo o que nos rodeia é assombrosa. As drogas como a cocaína e o haxixe, ou o simples cigarro, tudo nos deixa dependentes. Muitas vezes até um ponto em que já não conseguimos mais perceber onde pára a vontade e onde começa o vicio. Será um simples cigarro o desejo de alguém fumar? Ou a incapacidade de parar?

Mas não falemos de drogas e tabaco, pois é assunto demasiado comum nos dias correntes. Contudo, cada dia mais sentimos um novo tipo de vicio a surgir. A internet, especialmente, os sites de chat. É agradável sem dúvida passar algum tempo a falar com outras pessoas, a criar histórias, cenários, maravilhas que nos surpreendam a mente. Mas... convenhamos, valerá isso a pena, quando implica perder a nossa vida? Quando implica ficar tão viciado a ponto que quando falha a internet, ou o site entra em manutenção se entra em desespero?

É realmente algo sobre o qual deveríamos reflectir. Nem todos nós sabemos separar o mundo real do mundo virtual. Muitos são enganados, traídos, assediados ou abusados de alguma forma. Orkut, Hi5, Myspace, Facebox. Quantos milhares de indivíduos não passam os seus dias e noites agarrados ao computador, sempre em forums, comunidades. A postar, ansiosos por receber aquela mensagem, ou que aquela pessoa nos adicione como amigos. Até certo ponto é engraçado, divertido. Mas o que dizer disto quando passa do moderado ao exagerado? Da diversão à obsessão? Será que criar desculpas esfarrapadas, dizendo que aquilo é algo que criámos, por que lutámos. Que lá achámos amigos de verdade. Que lá nos refugiámos quando mais precisámos. Será que essas desculpas compensam uma vida perdida?

Não nos iludamos. Diversão é bom mas... é tão triste ver os nicks do msn com "o que fazer sem orkut?" ou "o myspace está em baixo, volta por favor!". Será que a sociedade, e principalmente a camada jovem, decaiu tanto, ao ponto de não mais se lembrar do que pode fazer sem a internet? Sem estes forums e chats? Que tal msn? Ou se não se tem internet, a TV? Um livro? Dormir!!!!!

Quem sabe estas quedas de internet, manutenções de sites prolongadas não sejam uma chamada de atenção? Quem sabe isto não seja o destino a querer mostrar-nos que a diversão é boa, mas deve ser moderada! Quem sabe...


*Carlos