*Carlos
Um local de textos perdidos, aleatórios e sem seguimento. Gotas, pétalas, fragmentos de memória, vontade e opinião.
sábado, 26 de julho de 2008
A Ajuda
*Carlos
quinta-feira, 24 de julho de 2008
A Simplicidade


Gostamos tanto do estatuto social, de ter este ou aquele sobrenome, de ser filho desta ou daquela pessoa. Até mesmo de poder ajudar aqui ou ali! Sim, mesmo o voluntariado costuma ser motivo para se mostrar e enriquecer na posição e poder na sociedade. Todos os dias vemos pessoas que têm demais e abusam do que têm. Ou simplesmente, que não se apercebem do quanto têm. E todos os dias, vemos como os que nada possuem gostavam de ter mais, de poder viver melhor. Mas, até que ponto é isso bom? Quem muito tem, não se apercebe do quão sortudo é. Quem nada tem sabe que não tem nada, mas quando começa a enriquecer, esquece-se que já teve dificuldades, afasta-se de suas raízes e deixa para trás todos os que quiseram ajudar. Valerá a pena enriquecer se isso significa perder quem amamos e esquecer-mo-nos de quem somos?
Onde está a felicidade do simples? A beleza do singelo? A maravilha da calma? O sorriso de uma criança, o olhar agradecido de alguém, uma refeição simples em família, um passeio sem nada de especial com os amigos, um momento, uma palavra trocada a sós com quem amamos. Pode ser sempre tudo simples, sem riqueza nem luxo. Mas é puro e verdadeiro. Por norma quanto mais se tem, mais se esconde, mais se mente, mais se é falso. Já quem nada tem, nada precisa esconder! A vida é mais dura, mais complicada, mas certamente mais honesta e formará melhores cidadãos.
Seria óptimo que todos os altos e poderosos, perdessem parte de seu império, para que se lembrassem de como é ser alguém simples mas feliz com o pouco que tem! Ou se calhar, quem nasceu em berço de ouro, passar algum tempo sem nada, para poder sentir como também é bom uma simples brisa do campo, um simples raio de sol na praia. Não é necessário ter acesso ao mais fino "resort turístico" nem ao mais caro restaurante francês. Uma boa praia, um bom piquenique, desde que estejamos confortáveis connosco mesmo e que gostemos da companhia, sempre é bom!
Lutemos pois para terminar com as brigas, com os stresses, com os momentos de egoísmo e desentendimentos. Não vale a pena. É tão mais agradável desfrutar do que é simples, do que tentar tirar prazer do que é complexo. Não que seja mau, mas quando toda a vida assenta sob esses conceitos e acções, então entramos sim em desiquilíbrio. Todos nós precisamos de viver em sociedade, mas também de conviver com a natureza. O ar puro, a comida caseira, as obras artesanais, são parte do nosso ser, da nossa cultura. Não nos esqueçamos disso! Deixemos de parte o luxo e o mundano para apreciarmos um pouco a vida. Exultemos o simples, o puro, o que é prazeirento por si.
Sejamos equilibrados! Vivamos a vida com TUDO o que ela nos pode oferecer e não somente com o que nós queremos por ganância ou interesse.
*Carlos
quarta-feira, 23 de julho de 2008
A Liberdade

Fernando Pessoa, in «Livro do Desassossego»
Liberdade...
Um conceito muito vago, um conceito muito falado. Pode ser apenas uma palavra sem sentido que escrevemos ou dizemos, no meio de uma conversa, ou pode ser uma fonte de discussão, de debate intenso... Mas, realmente, é algo de que devemos falar: a solidão traz-nos liberdade, mas está-nos na natureza, como animais, o instinto para viver em grupos, em sociedades...
Mas conseguiremos nós esta separação, conseguiremos nós afastar-nos da sociedade desprendendo-nos de tudo e de todos? Ou teremos sempre a necessidade, como diz Pessoa, do dinheiro, gregária, de amor... Pois... valerá a pena uma vida de solidão, mesmo sendo uma vida realmente livre? À semelhança de um cavalo alado, que é livre de conquistar tanto os céus como a Terra, também ele possui essa liberdade, mas se for separado dos seus semelhantes, se ficar sozinho no mundo, sem ninguém, ele acaba por morrer...
O mesmo não acontecerá connosco? Se nos separarmos de todos, vivemos uma liberdade verdadeira, mas a que preço? Trocaremos uma vida de escravidão amada e sentida, por uma vida de liberdade em que a alma definha, e morre?
Cabe a cada um de nós decidir, se queremos lutar por uma vida livre, ou desistir e resignar-mo-nos a tudo o que o destino nos imponha.
*Carlos
A Oração
A Oração
(Um post para quem é religioso e para quem não é)

Olhar o céu,
Admirar as estrelas,
Suspirar de desejo,
Venerar a beleza.
Teremos nós ajuda se a pedirmos?
Ou estaremos apenas a iludir-nos?
No entanto, para quem não tem fé, tudo isto parecem ser meras palavras, mero texto escrito com intenção de enganar os outros... Mas será? Serão os que acreditam tolos por acreditar, ou os que não acreditam ignorantes por não acreditarem? É pois difícil de saber... E não podemos forçar nada, nem impingir nada em ninguém... Mas não devemos também criticar os demais:
Senhora da Luz das orações,
Senhora da Esperança dos doentes,
Senhora da Paz dos corações.
És refúgio dos que pecamos,
És Mãe quando sofremos,
És consolo quando choramos,
És presença quanto te queremos.
Ouve-nos,
A nós jovens,
Teus filhos e filhos de Deus,
E ajuda-nos neste momento de oração.
Por isso pedimos:
- Para pôr em prática os dons recebidos,
O Teu Auxílio, Virgem Imaculada
- Para o próximo conseguir amar,
A Tua Força, Senhora
- Para os tempos que vivemos,
A Tua Luz, Maria
- Para o futuro que nos espera,
A Tua Bênção, Ó Mãe
*Carlos
Saudade
Quando o coração torna a memória dolorosa
Todos nós já tivemos saudades de alguém ou de alguma coisa. As boas memórias marcam-nos e essa marca vai causar dor quando começar a ficar distante no tempo. Um tempo perdido, umas férias passadas, um amigo esquecido, um amor afastado. Um ano, um mês, um dia, um segundo. Não importa o quê ou por quanto tempo, mas sim o facto de que todos sofremos à nossa maneira. Mas porque temos que sofrer? Porque não podemos simplesmente viver a vida, indiferentes ao passado e futuro, somente concentrados no presente? Pois pensamos. Ó como pensar é difícil. Como pensar nos faz sofrer. É certo que podemos desfrutar de cada momento da nossa vida mais intensamente, por termos o dom da razão. Mas… também é por vivermos cada momento tão intensamente, que mais tarde entramos num estado de melancolia, de saudade de tais momentos. Contudo, esta dor, este sofrimento, nós decidimos tê-lo. Não o queremos, mas não nos importamos de o ter. Talvez por fé, talvez por princípio. Ou não? Será a saudade tão importante assim? Será esta dor nostálgica uma pedra angular da nossa existência? Pensemos então.
O que nos faz viver? A maioria, senão todos nós, temos uma vida difícil, e com dores e pesadelos diários. Problemas pessoais, familiares, económicos, de saúde, de relacionamentos, isto claro, excluindo o mundo hostil em que vivemos, as notícias de guerras, chacinas, assaltos, catástrofes que a toda a hora nos chegam por vários meios. Temos que ser realistas, a vida é um dom maravilhoso, mas não é bela de se viver! Na verdade, é bastante deprimente! O que a faz parecer bela, são os momentos de felicidade, em que esquecemos todos os nossos problemas, em que nos abstraímos de todas as desgraças e somos realmente felizes. E é por esses momentos que vale a pena viver. Um sorriso, um abraço, um toque, um agradecimento, até mesmo um olhar. São estas breves coisas que nos fazem felizes, e infelizmente, são elas que nos marcam tão fundo na alma, que mais tarde esta arde em saudade. Valerá então a pena? Por momentos de prazer, uma eternidade de nostalgia? Lógico que sim! O que seria de nós, ser humano, sem a saudade? Sem a esperança? Se não tivermos algo que lembrar, nem algo que desejar, de que serve a vida? Como podemos desfrutar ao máximo de cada momento da nossa vida, se não conseguirmos relembrá-lo mais tarde?
Para toda a luz, a escuridão, para cada sorriso, um choro, por cada momento de alegria, um momento de dor. Tudo na vida tem coisas boas e más, e se temos esperanças, sonhos, desejos, também teremos lembranças, memórias, saudade. É isto que nos faz sofrer, mas também que nos faz sorrir. É tão bom relembrar aquele momento especial, aquela cena de felicidade, aquela pessoa maravilhosa. É dolorosa tal lembrança? Sim pois não passa de uma memória. Mas vale a pena? Com certeza! Ainda que doa, ainda que arda, sempre saberemos que alguém nos ama, que em algum momento nos divertimos. E isso traz-nos esperança de que possamos voltar a ser felizes. Talvez não daquela forma, pois cada momento é único. Talvez não com aquela pessoa, pois ela pode nunca mais voltar. Mas aquele tipo de sentimento, é essa esperança que nos alimenta e nos dá forças para continuar.
Não interessa se é muito ou pouco. Não interessa porque ou por quem sofremos com a saudade. Interessa somente que nos agarremos à saudade, não para nos perdermos e sufocarmos nela, mas para a transformar em esperança de desejo. Voltaremos a sorrir, voltaremos a estar juntos, voltaremos a ser felizes. Voltaremos…
"I Miss You" - Blink 182
"When Your're Gone" - Avril Lavigne
*Carlos
terça-feira, 22 de julho de 2008
O Sacrifício e a Falsidade
Finalmente, a civilização continuo a avançar, pelo menos dos países evoluídos do Ocidente, e os sacrifícios corporais começaram a diminuir de intensidade. Em lugar de matar alguém, começou a jejuar-se, em lugar de queimar alguém, surgiram os trabalhos comunitários. E se formos ver, no século XXI quase não existem mais os antigos sacrifícios. Pelo menos na sua forma original. Mas... com o desaparecimento dos rituais cruéis, a mente civilizada e a reflexão entraram em acção. O ser humano começou a ver, finalmente, algo que muito poucos viram durante séculos, e até mesmo milénios: o sacrificio pessoal.
Em paralelo aos sacríficios brutais e exuberantes, durante toda a história do Homem sempre foi menosprezado e ignorado por muitos, o sacríficio pessoal e discreto. Um amigo, um familiar, um pai, um irmão, um filho, um marido, ou, até mesmo um desconhecido. Qualquer um por quem achamos que nos devemos sacrificar. E este tipo de sacrifício não é exuberante nem divertido. Na maioria das vezes, é de facto penoso e muito cansativo, mas, continuamos a fazê-los. Porquê? Porque continuamos nós a sofrer propositadamente se conseguimos deixar de fazer os demais sofrer nos antigos rituais bárbaros?
Ora a resposta, parece complexa, mas é simples: pois somos humanos! Todo o ser humano pensa. Todo o ser humano tem sentimentos. E a maioria dos seres humanos, ao conjugarem o seu pensamento com os seus sentimentos, apercebem-se de que podem ajudar quem amam, quem precisa, quem pede ajuda. Apercebem-se que a vida tem mais para além de si mesmos, e por isso, fazem sacrifícios. Fazer companhia a alguém, ajudar na execução de uma tarefa... tudo coisas que podemos fazer, prescindindo do nosso tempo, da nossa vida, para poder prestar auxílio. Contudo, nem sempre a perfeição existe. Se antigamente nos deparávamos com os fracos motivos para a execução de sacrifícios, hoje em dia deparamo-nos com os falsos motivos e falsas honestidades de quem se sacrifica por outrém.
- Actores e cantores que se fazem passar por caridosos, quando na verdade só querem atenção dos meios de comunicação
- Falsos amigos que só nos ajudam quando sabem que vão poder pedir algo em troca
- Membros de família que nos apoiam, para na hora certa nos trairem e deixarem sem nada
- Namorados(as), maridos/esposas que professam o seu amor tão infinito, aparentam dar tudo por nós, tudo para conseguirem no fundo abusar de quem dizem proteger
- Pessoas que fingir dar com uma mão, quando na verdade estão a tirar muito mais com a outra
A verdadeira questão que devemos colocar a nós mesmos é: sacrifico-me por motivos puros ou por motivos sujos? Será que finjo entregar-me aos outros, só para no final ser dono deles? Hoje em dia, poucos são aqueles, que trabalham, que se sacrificam de forma honesta e verdadeira. A maioria tem interesses por trás de todas as suas acções. Podem nem ser interesses malvados ou prejudiciais, mas... são interesses! Não percamos mais tempo com falsas caridades, com ilusões. Temos que despertar, abraçar o sacrifício e expulsar dele a falsidade. Ninguém pede que todos sejamos as novas "Madres Teresas de Calcutá". Mas... se todos dessemos um pouco, somente um pouco de nós para ajudar o próximo, então os "poucos" de todo o mundo, fariam sem duvida deste planeta, um local ideal para se habitar.
*Carlos
Addiction
Mas não falemos de drogas e tabaco, pois é assunto demasiado comum nos dias correntes. Contudo, cada dia mais sentimos um novo tipo de vicio a surgir. A internet, especialmente, os sites de chat. É agradável sem dúvida passar algum tempo a falar com outras pessoas, a criar histórias, cenários, maravilhas que nos surpreendam a mente. Mas... convenhamos, valerá isso a pena, quando implica perder a nossa vida? Quando implica ficar tão viciado a ponto que quando falha a internet, ou o site entra em manutenção se entra em desespero?
É realmente algo sobre o qual deveríamos reflectir. Nem todos nós sabemos separar o mundo real do mundo virtual. Muitos são enganados, traídos, assediados ou abusados de alguma forma. Orkut, Hi5, Myspace, Facebox. Quantos milhares de indivíduos não passam os seus dias e noites agarrados ao computador, sempre em forums, comunidades. A postar, ansiosos por receber aquela mensagem, ou que aquela pessoa nos adicione como amigos. Até certo ponto é engraçado, divertido. Mas o que dizer disto quando passa do moderado ao exagerado? Da diversão à obsessão? Será que criar desculpas esfarrapadas, dizendo que aquilo é algo que criámos, por que lutámos. Que lá achámos amigos de verdade. Que lá nos refugiámos quando mais precisámos. Será que essas desculpas compensam uma vida perdida?
Não nos iludamos. Diversão é bom mas... é tão triste ver os nicks do msn com "o que fazer sem orkut?" ou "o myspace está em baixo, volta por favor!". Será que a sociedade, e principalmente a camada jovem, decaiu tanto, ao ponto de não mais se lembrar do que pode fazer sem a internet? Sem estes forums e chats? Que tal msn? Ou se não se tem internet, a TV? Um livro? Dormir!!!!!
Quem sabe estas quedas de internet, manutenções de sites prolongadas não sejam uma chamada de atenção? Quem sabe isto não seja o destino a querer mostrar-nos que a diversão é boa, mas deve ser moderada! Quem sabe...
*Carlos

