quinta-feira, 24 de julho de 2008

A Simplicidade


Até onde a Ganância Vencerá a Humildade?




Nos dias que correm, é cada vez mais difícil conseguir saciar o desejo por poder e dinheiro. É algo que se torna tão apreciado que muitos de nós ficamos sem saber onde acaba a necessidade e onde começa a ganância e luxúria. Quem tem muito, quer sempre mais. Quem tem pouco, quer sempre mais. É um ciclo vicioso! Quanto mais temos, mais queremos, mais achamos que precisamos. Seja dinheiro, estatuto, poder, influência, amigos, entre muitas outras coisas.

Gostamos tanto do estatuto social, de ter este ou aquele sobrenome, de ser filho desta ou daquela pessoa. Até mesmo de poder ajudar aqui ou ali! Sim, mesmo o voluntariado costuma ser motivo para se mostrar e enriquecer na posição e poder na sociedade. Todos os dias vemos pessoas que têm demais e abusam do que têm. Ou simplesmente, que não se apercebem do quanto têm. E todos os dias, vemos como os que nada possuem gostavam de ter mais, de poder viver melhor. Mas, até que ponto é isso bom? Quem muito tem, não se apercebe do quão sortudo é. Quem nada tem sabe que não tem nada, mas quando começa a enriquecer, esquece-se que já teve dificuldades, afasta-se de suas raízes e deixa para trás todos os que quiseram ajudar. Valerá a pena enriquecer se isso significa perder quem amamos e esquecer-mo-nos de quem somos?

Onde está a felicidade do simples? A beleza do singelo? A maravilha da calma? O sorriso de uma criança, o olhar agradecido de alguém, uma refeição simples em família, um passeio sem nada de especial com os amigos, um momento, uma palavra trocada a sós com quem amamos. Pode ser sempre tudo simples, sem riqueza nem luxo. Mas é puro e verdadeiro. Por norma quanto mais se tem, mais se esconde, mais se mente, mais se é falso. Já quem nada tem, nada precisa esconder! A vida é mais dura, mais complicada, mas certamente mais honesta e formará melhores cidadãos.

Seria óptimo que todos os altos e poderosos, perdessem parte de seu império, para que se lembrassem de como é ser alguém simples mas feliz com o pouco que tem! Ou se calhar, quem nasceu em berço de ouro, passar algum tempo sem nada, para poder sentir como também é bom uma simples brisa do campo, um simples raio de sol na praia. Não é necessário ter acesso ao mais fino "resort turístico" nem ao mais caro restaurante francês. Uma boa praia, um bom piquenique, desde que estejamos confortáveis connosco mesmo e que gostemos da companhia, sempre é bom!

Lutemos pois para terminar com as brigas, com os stresses, com os momentos de egoísmo e desentendimentos. Não vale a pena. É tão mais agradável desfrutar do que é simples, do que tentar tirar prazer do que é complexo. Não que seja mau, mas quando toda a vida assenta sob esses conceitos e acções, então entramos sim em desiquilíbrio. Todos nós precisamos de viver em sociedade, mas também de conviver com a natureza. O ar puro, a comida caseira, as obras artesanais, são parte do nosso ser, da nossa cultura. Não nos esqueçamos disso! Deixemos de parte o luxo e o mundano para apreciarmos um pouco a vida. Exultemos o simples, o puro, o que é prazeirento por si.

Sejamos equilibrados! Vivamos a vida com TUDO o que ela nos pode oferecer e não somente com o que nós queremos por ganância ou interesse.


*Carlos

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