quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Os Primeiros Dias


Quem não se lembra da emoção, dos nervos, da espectativa dos primeiros dias de aulas numa escola nova...



É tão estranho. Sentir-me novamente assim. Lembro-me dos primeiros dias de primária, 12 anos atrás. Dos primeiros dias do ciclo básico, 8 anos atrás. Dos primeiros dias de secundário, 3 anos atrás. E agora, os primeiros dias de faculdade, são sem dúvida os mais estranhos de todos! Sei que sou maior de idade já. Sei que não mais sou um garotinho pequeno e de baixa estatura. Ok, continuo exageradamente magro e falador, mas nem tudo muda não é mesmo? 

Mas o que interessa, é que mesmo tendo crescido em tantos sentidos diferentes, sinto como me sentia à 12 anos atrás. Um aluno novo, jovem, quase um bebé que entra num mundo tão diferente do que estava acostumado. Não conheço ninguém, não conheço nada. Os arrepios no estômago multiplicam-se e os tremores proliferam tal qual um cancro maligno. E então, dia após dia, lá nos levantamos da cama em cada manhã, rumo à faculdade. Primeiro um passo, depois outro. Meia hora de autocarro, vinte minutos de metro, dez minutos a pé. E o edifício, aparentemente enorme mas que na realidade nem é das maiores faculdades do país, nem de perto nem de longe, começa a aparecer ao virar a esquina. Lá se entra... Sempre um pouco nervoso, pois os veteranos e doutores adoram praxar os caloiros, especialmente nesta primeira semana. 

Com algum receio, muito riso e boa disposição, lá se passam os dias. Segunda, Terça... Antes de darmos conta já é sábado. Respiramos então de alivio e aproveitamos para dormir um pouco. Ok, minto, dormimos quase o fim de semana todo, mas ninguém atenta aos detalhes não é mesmo :P? E então começa a segunda semana. As praxes diminuem, começam a comprar-se alguns livros e sebentas, que só com o preço quase nos fazem precisar de um desfibrilhador logo ali ao lado. As aulas teóricas começam a ter muita matéria. BioCel faz-se bem, Bioquímica presta-se atenção e Anatomia apavoram-se os sentidos. Tudo segue o seu ritmo natural. 

Com a aproximação do início das práticas, o medo instala-se de novo. A matéria que ainda nem começamos a dominar nem um centésimo, vai ser necessária, à grande! Cada aula conta. Cada minuto é avaliado... Oh Deus... mas, se todos já passaram por lá e sobreviveram, nós também iremos sobreviver não? Se todos os que cursam medicina, ou quase todos, conseguem, porque nós não conseguiríamos? Respiremos fundo então, vá... um, dois, três... Mais calmo? Não! Mas enfim... Agora, será esperar para ver...


*Carlos

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