terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Tempo... Vida... Juntos...

Uma crítica literária... para a vida...



Tic tac, tic tac, segundos, minutos, horas. Momentos, tão breves e passageiros, passam em correria louca por nós, fugindo... correndo... É o adversário que nunca parará, que nunca ultrapassaremos, e que no dia em que pararmos de o acompanhar, o perderemos. A vista é isto mesmo: muitos pontos de partida e poucos de chegada, muitos inícios de novos capítulos, mas poucas frases de conclusão. É o livro que começamos a ler, com inocência e curiosidade. Que ao avançarmos nas páginas nos desperta angústia e felicidade, até que cada dia o final de aproxima mais uma página.

E na parede, o relógio continua a funcionar, incessante e incansável, quando viramos cada página de forma tão ritmada quanto os seus ponteiros. A tentação de voltar atrás para ler melhor aquele capítulo especial é-nos proíbida. O desejo de espreitar o que vai acontecer, páginas mais à frente, naquela novela que parece nunca mais ter solução é-nos cortado...

Era só uma espreitadela... Nem o relógio ia ver! Vá lá, por favor, só essa gentileza me farás. Deixa-me ver como este capítulo acaba... ou... se preferires deixa-me reler aquela página que ontem estava tão distraído que nem li com a atenção que devia.

A resposta é sempre negativa. Firmemente negativa por sinal. Parece injusto que nós leitores e protagonistas deste livro nem sequer possamos usá-lo a nosso belo prazer. Condicionados estamos pois a ler cada frase uma única vez, ao ritmo daquela bendito relógio que não pára por nada neste universo. Resta então somente uma opção, a todos os dedicados leitores deste tipo de livros: ler cada letra com atenção e cuidado. Não deixar escapar nem a mais ínfima virgula pois um dia podemos vir a arrepender-nos.

Bem, vou mas é voltar a ler. A ver se hoje ainda termino mais uma página pelo menos que aquele som certo e disciplinado assim mo ordena.

Tic tac, tic tac... toca o relógio... chamando-me a ler...


*Carlos

1 comentário:

Anónimo disse...

Ah, a tão magnifica capacidade de expressão a que nos habituamos vinda de ti, sempre tão literada e expressiva, tão saborosas que se tornam essas tuas palavras quando nos envolvemos nelas, fazem-nos por momentos crer que o sentimento é possivel de exprimir através da escrita

Julgo que essa pequena Caixa de Pandora se encontra um pouco confusa da suas atitudes e do seu possível impacto no mundo mas, digo-to eu, tem de certo mais valor do que julgas!

Todas essas batidas secas pausando o tempo com um sincronismo unico induzem-nos à infinita limitação do tempo e do espaço, deixam-nos um sem numero de margens onde aportar quando bem entendermos que o devemos fazer, resta-nos apenas escolher o tempo certo para o fazer


De um velho admirador anonimo que de anonimo nada possui:

Lupin