quinta-feira, 4 de junho de 2009

Forgive, forget, learn and... try to be happy!

Para tentar ser feliz, por vezes há saber perdoar e seguir em frente!




Todos temos os nossos momentos de felicidade com toda a certeza, tal como todos temos os nossos momentos de tristeza. Os momentos felizes podemos achar que valeram ou não a pena, que compensaram ou não os momentos tristes já vividos mas o facto é que temos que os viver de qualquer forma. Quer de forma mais intensa, ou menos intensa, a dura realidade é que todos temos as nossas cruzes para carregar, independemente de crenças, sexos, raças, idades ou culturas.

Acredito no entanto, que além do facto de todos termos que viver o bom e o mau, e não somente um dos dois, também é comum a todos a necessidade de perdoar, de esquecer, de seguir em frente, pois se não o fizermos corremos o risco de cair numa espiral de tormento da "alma". Talvez seja a forma do destino dos indicar o caminho a seguir. Talvez seja a forma do nosso subconsciente se autoflagelar até que o lado consciente acorde para a vida e siga em frente! Não interessando o porquê nem o como, falo apenas do "quem"...

Durante a nossa vida, todos vivenciamos as coisas de forma única. Podemos achar-nos mais ou menos altruístas, mais ou menos inteligentes, mais ou menos tudo e mais alguma coisa que possamos encontrar no dicionário! Podemos pensar e achar muita coisa, racionalizar logicamente e profundamente reflectir sobre tudo o que bem entendermos, mas por muito que queiramos, é difícil ter certezas neste mundo. Não falo só de poder ou não citar afirmações sobre outrém, mas até mesmo sobre nós próprios! É difícil conhecermo-nos a nós mesmos a 100% quer tenhamos 19 ou 91 anos, pois o facto é que a vida é uma constante aprendizagem.

Ok, aos 90 anos é mais dificil modificarmos algo na nossa forma de ser, mas nem só de rotinas e previsibilidades nós somos compostos! Claro que cada um tem uma forma característica de ser, e inevitavelmente acabará por se definir e responder de forma lógica e coerente a determinados estimulos. Mas isto é o somente o quotidiano, e não o raro, o acaso, a coincidência. Podemos achar que por ser pessoas bondosas e altruístas mais facilmente perdoariamos a alguém que nos magoasse de alguma forma, ou ao contrário, acharmos que porque temos dificuldade em esquecer as coisas, perdoar é algo que está em alguns casos mais graves fora do nosso alcance.

Limites precários e temporários é isso o que chamo às previsões que fazemos das nossas próprias reacções perante coisas raras e que ainda nunca vivenciámos, pois a verdade é que são previsões baseadas em verdades que não correspondem à situação real! E o que fazemos quando descobrimos que não agimos da forma esperada? Bem isso vai da reacção e da maneira de ser de cada um! Se reagimos pior do que esperávamos, quer em termos de violência, quer talvez de inflexibilidade ou rispidez, talvez seja boa ideia rever a imagem que temos de nós mesmos, e avaliarmos como somos em situações raras, de stress (ou não) e fortes/curiosas emoções.

Se por outro lado ficamos surpreendidos pela positiva, e vemos que afinal conseguimos manter a calma perante o desastre, ou perdoar perante a traição, ou ajudar perante a queda do "inimigo", então talvez seja também hora de reflectirmos sobre nós mesmos e pensarmos que se calhar, se conseguimos em situações, para nós mesmos de limite, reagir bem, talvez sejamos nós mesmos que nos impedimos de reagir bem perante outras situações. Pois difícil é para quem de natureza reage mal no extremo, vir a reagir bem no quotidiano, mas mais dificil é para quem reage bem na situação limite e não se permite reagir igualmente no dia-a-dia, que venha a reagir bem.

Sejam estereótipos sociais, familiares ou entraves mentais por nós mesmos implantados, devemos primeiro que tudo pensar que se ultrapassámos o obstáculo maior, não seremos nós mesmos a atar os nossos próprios pés ao chegar perante os demais obstáculos? Apercebamo-nos então de quem somos na realidade, e não tenhamos medo de dizer que mudámos. Não temamos a mudança quando ela traz coisas boas a nós e aos que nos rodeiam, mas sim abracemos essa mudança pois dela brota um exemplo a seguir. Que tape a cara aquele que recusa perdoar quem o magoa por um malentendido, mas segue e perdoa os maiores crimes da humanidade àqueles que ama, e por oposto da lógica, que erga o queixo e caminhe orgulhoso, aquele que perdoou embora sob criticas tanto o amado que o traiu, como o amigo que o magoou, como o desconhecido que por coincidencia da vida sobre ele alastrou maldade.

Há quem diga que perdoar é divino. Que perdoar está ligado ao transcendental e ao religioso, mas para mim, isso é tudo uma questão de perspectiva. Para mim, perdoar em nada é divino, mas sim uma das expressões máximas de perfeição humana. "Mas a perfeição não existe" - ok, ok, peço perdão aos que tudo lêem e interpretam de forma literal, e para esses passo a explicar-me: a perfeição ideal é de facto inexistente, mas existe sim uma perfeição humana. Ela é cheia de defeitos sem dúvida, mas de defeitos que são aceites, reconhecidos e trabalhados para que possam em conjunto com as qualidades formar um todo uno e equilibrado, dentro é claro, de toda a subjectividade, unicidade e variabilidade inata a todo o ser vivo. É dentro desta perfeição humana que englobo o perdoar, o esquecer e o seguir em frente. Pois a vida, independentemente das crenças de cada um, é a única coisa real com que podemos contar por agora, e se não a vivermos ao máximo, então podemos estar a desperdiçar a única oportunidade que temos de viver! "Mas a reencarnação, a vida além da morte" - ok, eu preocupo-me com essas coisas quando lá chegar! Mas por agora, quero aproveitar a minha vida, tentando vive-la ao máximo!

E para viver ao máximo, para dominar esta arte que é viver num "Carpe Diem" constante, o perdão é só mais uma das muitas ferramentas que para mim deve ser usada, pois só com ele podemos ter (com ajuda do tempo e dos que nos rodeiam é verdade) paz de espírito e ser felizes de certo momento em diante. Memórias nunca serão esquecidas, mas também disso não passarão, de memórias, que nos servem de aprendizagem no máximo. Perdoemos então a quem temos que perdoar, esqueçamos o que devemos esquecer, e independemente de conseguirmos ou não reagir bem e aplicar estas coisas, tentemos aprender com tudo e sempre seguir em frente com a nossa vida, pois por agora, é a única de que dispomos e se não dermos o "tudo por tudo" para ser felizes AGORA, então podemos vir a arrepender-nos disso mais tarde. Afinal de contas, só não vive quem não tenta, só não sofre quem não tenta, mas só é feliz quem nunca desiste de tentar!


*Carlos

1 comentário:

Thales Malfoy disse...

Concordo com você em muitas partes desse texto, na verdade na maioria. Mas tem um ponto que me chamou bastante atenção que foi a parte do sermos felizes com coisas boas e ruins que acontecem em nossas vidas.

Eu acredito que mesmo os momentos felizes tem lados ruins, basta nos atermos sempre ao momentos bons, e acho que isso sim, indica uma pessoa feliz. =p

Confuso x.x